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01/02/2010 - 19h50

Estresse presidencial

por Professor Neiff Olavo Gomes Satte Alam

Professor Neiff Olavo faz parte do pedroosorio.net desde 24/08/2007.
Escreveu ao todo 119 artigos.



"Devemos sempre nos colocar na posição do outro para sentir sua dor ou sua alegria, entender suas mazelas e a dimensão dos problemas que lhe toca mais de perto". É o que tenho ouvido com freqüência do amigo Clayton Rocha nas aberturas do Programa "Pelotas 13 horas", da RU.
Seguindo o ensinamento do "mestre", resolvi me colocar no lugar do Presidente Lula para entender seu último estresse, que sensibilizou o país neste verão de 2010 e o levou a fazer um controle de saúde dentro sistema SUS-VIP em Recife e em São Paulo.
Se tivesse que discursar no Fórum Social Mundial, onde se diz que "um outro mundo é possível", e depois tivesse compromisso de receber uma comenda no Fórum de Davos, onde se diz "que este é o mundo possível", também ficaria estressado.
Se tivesse assinado o Plano Nacional de Direitos Humanos/III, apresentado por gente de absoluta confiança, sem ter tempo para ler, depois ter que revisar vários itens e ainda ter que dar explicações para meio mundo, também ficaria estressado.
Se tivesse que albergar o Presidente deposto de Honduras e ficar sabendo, ao final, que o país apenas queria garantir sua Constituição, tendo, inclusive, proporcionado uma eleição livre para a escolha do novo Presidente, também ficaria estressado.
Se tivesse que contrariar um dos meus Senadores mais combativos na luta pelos legítimos direitos dos aposentados brasileiros e, desconsiderando minha história de lutas, impor derrotas a esta categoria, também ficaria estressado.
Se tivesse de defender adversários políticos que quase destruíram o país com suas acrobacias, como é o caso do Sarney, Calheiros e Collor, também ficaria estressado.
Se tivesse que defender meus companheiros, lideranças partidárias que me sustentaram politicamente, em episódios como os do "mensalão", também ficaria estressado.
Se tivesse que me unir aos peemedebistas para reforçar a campanha de minha candidata preferencial, ato de puro fisiologismo que tanto combati no passado, também ficaria estressado.
Se tivesse me atirado de corpo e alma no excelente projeto de um vestibular nacional, o ENEM, mas a "companheirada" tivesse sido tão incompetente na execução, também me sentiria estressado.
Pois bem, amigo Clayton, só em me colocar no lugar do Presidente Lula, já me sinto estressado. Sei que meu estresse não será notícia, nem minha pressão aparecerá nos jornais, rádios e televisões, mas fiquei mais tranqüilo em, colocando-me no lugar do Presidente, ter certeza de que o povo é mais forte que o Presidente, embora mais estressado. Resta ainda a esperança de que algum Presidente, "como nunca antes neste país", se coloque no lugar do povo quando este estiver estressado. Se sobreviver, um "outro mundo será possível", caso contrário, mandaremos para Davos receber prêmios por "manter este mundo impossível".



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