E se a fábrica fosse nossa?

Paradigmas dificultam desenvolvimento do Estado

por Alexandre de Oliveira


Segue abaixo texto enviado por usuário ao pedroosorio.net por email.

PARA TER UMA FÁBRICA É PRECISO ANTES TER AS FLORESTAS

Asilvicultura no Estado tem, hoje, 1.7 mil produtores florestais, atuando em mais de 200 municípios, gerando 250 mil empregos diretos e, para cada emprego direto, são criados de quatro a cinco empregos indiretos. Com a instalação das fábricas de celulose STORA ENSO, ARACRUZ e VOTORANTIM, estes números irão dobrar. O sistema florestal gaúcho tem mais de 70 anos, e existem mais de 400 espécies de eucaliptos, quelevam 7 anos de cultivo para virar matéria-prima. O Brasil é hoje o maior produtor de celulosedo mundo, originada do eucalipto, é o 11º em produção de papel. A atividade de base florestal no país é responsável por 4% do PIB brasileiro, gerando 2 milhões de empregosdireto. O Rio Grande do Sul ocupa aquinta posição no ranking dos Estados brasileiro com maior plantio de florestas,e a silvicultura no Estado, representa hoje R$ 4 bilhões de faturamento. As projeções para 2015 devem chegar aos R$ 10bilhões.

As três maiores empresas de papel e celulose do mundo supracitadas já investiram no nosso Estado US$ 4 bilhões. A demanda de papel branco no Brasil é muito grande e importa 65% do que consome. Nos próximos anos, o Estado terá 1 milhão dehectares plantados, o equivalente a 3,5% do território gaúcho e quase todo este investimento é para a Metade Sul do Estado, que corresponde a 50% da área doRio Grande do Sul e representa apenas 18% do seu Produto Interno Bruto. A Votorantim Celulose e Papel (VCP) já investiu na Metade Sul 1,2 bilhão de dólares. Este é o maior investimento privado dos últimos 20 anos, quatro vezes maior que a montadora (GM) e o dobro do Pólo Petroquímico. A ARACRUZ planeja criar um sistema de transporte hidroviário nos rios Jacuí, Guaíba e a Laguna dos Patos,para o escoamento da madeira e celulose até o Porto de Rio Grande/RS, para isto vai construir dois terminais portuários em Rio Pardo/RS e São José do Norte/RS, beneficiando as cidades adjacentes a esses rios. O Presidente do Uruguai Tabaré Vázquez,está isentando de impostos, por 30 anos, as empresas de celulose, e já contacom duas delas na cidade de Fray Bentos (a espanhola ENCE e a finlandesa BOTNIA), além da sueco-finlandesa STORA ENSO, a portuguesa PORTUCEL e a japonesa NIPPONPAPER, que irão compor o pólo de celulose do Uruguai, sendo o maior investimento da história daquele país.

A nossa carga tributária torna o investimento 20% maior do que no Uruguai, onde a burocracia é bem menor do que a do nosso Estado. Nós temos, aqui, o zoneamento ambiental da silvicultura, que as empresas não podem plantar em áreas de ponto turísticos, históricos, arqueológicos, terras indígenas, remanescentes de quilombos e espécies raras e ameaçadas de extinção na flora e fauna, sempre preservando o impacto ambiental e nosdecursos hídricos. O Estado é o único no país que tem o zoneamento florestal.

Os ambientalistas que questionam o projeto de florestamento são os mesmos que combateram os transgênicos. Eles usam um dado da década de 70 de que uma árvore consome 100 litros de água pordia, e ainda afirmam que o Pampa vai secar e prejudicar a fauna e a flora. Vou dar um exemplo: um litro de água produz 2,9 quilos de eucalipto e, apenas 800 gramas de grão de milho e 500 gramas de feijão. O eucalipto consome de 800 a 1.200 mm/ano, acana-de-açúcar consome de 1.000 a 2.000, e o café de 800 a 1.200. As raízes do eucalipto não ultrapassam 2,5 metros de profundidade e não conseguem chegar aos lençóis freáticos.

A STORA ENSO comprou terras em oito cidades aqui no Estado. A empresa levou nove meses para regularizar a documentação das terras, sem poder plantar nesse período, face ao documento que foi solicitado por um Órgão do Estado, que é um relatório chamado "cadeia dominial", que é o histórico de todos os proprietários e transações doimóvel. A referida empresa teve que apurar documentos e certidões do século XIX, que são difíceis de encontrar e muitas vezes são ilegíveis ou trazem termos do português arcaico. A empresa foi buscar ajuda de historiadores e pesquisadores da cúria metropolitana para interpretar os documentos. O Ex-Presidente da República João Batista Figueiredo sancionou a Lei nº 6.634, de 02 de Maio de 1979, que limitou a 150 quilômetros de largura, paralela à linha divisória terrestre do território nacional, que será designada como faixa de fronteira. A atual dimensão limita investimentos em área de 197 municípios gaúchos, já que estrangeiros e companhias de fora do país não podem adquirir terras nestes locais. O Senador Sérgio Zambiasi encaminhou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para que está faixa defronteira seja reduzida para 50 quilômetros. A Lei mencionada acima foi criada na Ditadura Militar, e deve ser revogada, face ao Mercado Comum do Sul (Mercosul) criado em 26 de Março de 1991.

Pergunto: Que empresa terá ânimo de se instalar aqui no nosso Estado com tamanhas exigências e burocracias? Precisamos ser um Estado competitivo e atrair todos que quiserem progredir em solo gaúcho e não fechar as portas para o progresso. O radicalismo ambiental usado na depredação e vandalismo pela Via Campesina ("movimento das mulheres camponesas") e o (MST) é detrimento para o Estado e as empresas. Os movimentos sociais precisam agir de forma ordeira e pacífica nos seus protestos, jamais usar datruculência.

Os dados sobreditos corroboram a importância de um investimento dessa grandeza para o nosso Estado, que agoniza numa penúria e, que não pode se dar o luxo de fazer exigências que comprometem todos esses investimentos, e presentear o nosso país vizinho com este cavalo encilhado. Vamos fazer o nosso pólo de celulose aqui no Rio Grande.

Um abraço

Barra do Ribeiro/RS, 11 de Abril de 2008.

LUIZ HENRIQUE VAZ OLIVA

E-mail: vazoliva@gmail.com

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